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Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Se o ano de 2020 ficará na memória das gerações vindouras como o “Ano da COVID” o de 2021 ficará, muito provavelmente e salvo outra qualquer catástrofe imprevisível, como o “Ano da Vacina da COVID-19″…

E como sucede com qualquer bem escasso num contexto de grande procura inflamado por um elevado nível de alarme social, eco mediático e grave crise social e económica, será de esperar que exista um alto nível de conflitualidade entre Estados e dentro dos Estados sobre a distribuição e produção de vacinas com vantagens naturais, mas injustas, para os grandes países e, sobretudo, para aqueles que têm dentro das suas fronteiras unidades de produção de vacinas ou alguma das várias empresas que desenvolveram vacinas para a COVID-19.

O grande foco de 2021 será assim a distribuição de vacinas e os ataques informáticos (provavelmente para identificar metodologias e processos) que já foram detectados por parte de um “agente estatal” (Rússia?) contra a Pfizer são sinais disso mesmo: depois da Guerra para desenvolver vacinas em 2020, em 2021 vamos ter a guerra pela sua distribuição com, de permeio, muita “Diplomacia de Vacinas” liderada sobretudo pela Rússia e pela China como ferramenta de consolidação do seu poder e influência globais e, especialmente, nos Países em Desenvolvimento.

Como este tipo de abordagem não está a ser seguida pelos países ocidentais que estão, sobretudo, preocupados com serem os primeiros a distribuírem doses pelas suas próprias populações (o que já está a acontecer nos EUA e no Reino Unido) será de esperar que a Rússia (apesar dos problemas de produção) tente recuperar algum terreno perdido no Médio Oriente e em África e que a China faça o mesmo, mas em África e na América do Sul.

No caso russo esta “diplomacia da vacina” não tenderá a ser muito eficaz porque este país precisa de todas as doses que conseguir produzir para a sua própria população (a 7 de Dezembro o país tinha mais de 2.4 milhões de casos e era o quarto mais afectado do mundo).

Já no caso da China será diferente: através de um conjunto de medidas draconianas e ao facto de ser um Estado Totalitário o gigante asiático conseguiu controlar a pandemia muito mais depressa do que a maioria dos países e conseguiu recuperar a sua economia ainda em 2020 por forma a ser a única grande potencia mundial a registar um forte crescimento económico.

Em 2021 isto deverá continuar e, até, intensificar-se, com um crescimento em torno dos 7%: muito mais do que a União Europeia ou os EUA e, sobretudo, ao contrário destes, não está constrangida por grandes dívidas externas ou défices orçamentais e mantêm o essencial da sua capacidade industrial e tecnológica.

Com efeito, à medida que a economia mundial começa a recuperar a partir de meados de 2021 será de esperar que a distância entre as duas maiores economias do mundo diminua a um ritmo ainda mais intenso e favorável ao regime de Pequim porque os EUA não conseguiram aprovar um pacote de estímulos económicos nos últimos dias da Administração Trump.

Paralelamente, a distância para o todo da União Europeia também deverá diminuir porque a dívida continua alta nos países da Zona Euro e porque os governos do continente vão estar divididos entre conter os défices orçamentais dentro de margens que podem recuperar em 2022 e porque vão existir muitas “empresas zombie” que, cedo ou tarde, vão acabar por fechar e arrastar para o desemprego muito milhares de trabalhadores que vão pressionar ainda mais um continente demograficamente envelhecido e que, também por isso, teve e tem de suportar uma grande pressão nos seus sistemas de saúde.

Como já se está a constatar a perda de rendimentos será sobretudo nas famílias mais pobres e a perda de emprego concentrada nos sectores menos especializados (como a restauração e o turismo) o que vai agravar a desigualdade em alguns países europeus e aumentar o nível de contestação social.

Se 2020 foi o ano do vírus SARS-COV-2, 2021 será o das vacinas (há actualmente mais de 300 em diferentes fases de desenvolvimento) e do reforço do poder global da China sobre os EUA e a Europa.

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