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Rui Martins, activista e dirigente associativo, escreve semanalmente aos domingos no LUX24.

Uma crise pandémica de uma escala e impacto tão globais e esmagadores não pode deixar de ter efeitos em todos os domínios e, designadamente, no domínio político.

E alguns destes efeitos serão “virtuosos” e já se podem observar ou alguém porventura dúvida de que Trump não teria sido reeleito se a forma como lidou com a COVID-19 não tivesse sido tão inepta e irresponsável com frequentes desvios para fora do domínio científico e com a sua despromoção da necessidade de uso de máscara em público?

Como consequência da atitude da sua Administração os EUA são hoje o país mais afectado do mundo e Trump perdeu a reeleição e juntou-se assim à restrita lista de apenas 6 presidentes dos EUA que não conseguiram ser reeleitos para um segundo mandato…

Mas Trump não é o único Populista a perder com a COVID: na Índia, Narendra Nodi teve tanta pressa em parecer forte e responsivo que impôs um dos confinamentos mais rigorosos do mundo totalmente desajustado a um dos países mais pobres do mundo o que criou muito descontentamento e levou à perda de milhões de empregos nas grandes cidades e um grande refluxo de volta para as zonas rurais o que agravou os contágios nos transportes e a pressão de um pacote de reformas agrárias que estão a criar grande descontentamento no mundo rural.

No Brasil, Bolsonaro também perdeu boa parte do seu prestígio devido, como Trump, aos constantes avanços e recuos e a um negacionismo crónico nas fases iniciais da Pandemia que colocou o Brasil na infeliz posição de ser um dos países do mundo mais afectado pela COVID apesar de ser, como África, um país tropical e com uma demografia relativamente jovem.

A COVID-19 pode ter tido assim um papel importante ao expor a incompetência governativa dos Populismos em lidarem com uma crise global de grandes dimensões acelerando assim o seu ocaso.

Estes sinais ainda não se verificam na Europa em torno do regime do “Lei e Justiça” na Polónia apesar de, por estes dias, o sistema de saúde estar à beira do colapso muito devido ao desinvestimento do governo na Saúde e ao continuado êxodo de mais de 4 mil profissionais de saúde por ano para a União Europeia.

Na Hungria de Viktor Orban o sistema de saúde está ainda em pior condição do que na Polónia (enquanto o Reino Unido gasta 7.98% do PIB na Saúde e a Alemanha 9.9% a Hungria gasta apenas 4.44%) e o apressado levantamento do confinamento após declaração prematura de “vitória” a 3 de maio criou condições para o actual pico de infecções.

Por outro lado, o regime aproveitou a crise pandémica para aumentar o nível de controlo autocrático sobre a sociedade húngara. A partir de um certo nível, cedo ou tarde, isso vai aumentar a contestação interna sobretudo devido à inexistência (!) de um ministério da saúde e medidas tão radicais como a expulsão de doentes oncológicos das suas camas para dar lugar a doentes COVID.

Estes sinais de recuo do Populismo que começaram a surgir no último trimestre de 2020 vão aumentar em 2021.

Resta saber se a vacinação da população polaca e húngara em 2021 e 2022 chegará para fazer esquecer esta má resposta e afastar o regime polaco nas Parlamentares de 2023 e o de Orban nas Eleições Parlamentares de 2022.

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