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Miguel Torres, Software Developer e Gestor de Dados.

Na Região Norte, parece que o pico da terceira vaga da pandemia já passou. Os casos começam a baixar e o número de pessoas internadas vai pelo mesmo caminho.

Existem várias explicações para isto. Por exemplo, o Norte ter sido fustigado pela covid mais cedo que as outras regiões ou as medidas do confinamento parecem estar finalmente a fazer efeito. Mas, para mim, a verdade está nos efeitos da vacinação focalizada nas pessoas que devem realmente ser vacinadas. Algo que não acontece em outras regiões e países.

Alguns governos decidiram começar a vacinação pelo pessoal dos serviços de saúde, como Portugal. Outros optaram pelos utentes de lares e, num número mais reduzido de países, os políticos quiseram dar o exemplo. Mas a Região Norte de Portugal optou por uma estratégia mista: pessoal de saúde e funcionários de confeitarias.

Esta semana soubemos que onze funcionários da confeitaria mais próxima do INEM do Porto foram vacinados ao final do dia antes que o prazo de validade das vacinas passasse. Parece-me uma excelente ideia e não percebo tantas críticas que levaram, inclusivamente à demissão do diretor daquela instituição.

Os funcionários das confeitarias trabalham em estabelecimentos em que no balcão existe uma vitrine com bolos, bebidas e iogurtes. São as pessoas que melhor entendem o problema dos prazos de validade (ok, juntamente com os repositores de supermercado). Trata-se de uma classe laboral que, sabendo que um iogurte e uma vacina estão prestes a perder a validade, vão para a linha da frente beber um yoggi enquanto levam uma injecção intra-muscular.

O ramo confeiteiro destaca-se de todos os outros. É o floema que transporta o açúcar desde as células que fotossintetizam a nossa alegria até à raiz dos problemas que encaramos nesta pandemia. Os bolos são a seiva da nossa sociedade.

Já em 1933 Álvaro de Campos escrevia que “as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria”. E se no corrente confinamento existem eucaristias, por que razão os sacerdotes eclesiásticos não têm direito a uma vacina? As pessoas às vezes esquecem-se que até o Papa é um jesuíta. Quem não foi a uma confeitaria durante a pandemia que atire a primeira bola de Berlim.

O que queriam fazer com as vacinas? Deitá-las fora e depois escrever um relatório de mil folhas a justificar a destruição do bem mais precioso que temos a seguir ao croissant?

Será que o diretor do INEM iria conseguir adormecer no seu travesseiro sabendo que 11 vacinas tinham sido deitadas ao lixo?

Temos que ser solidários e não invejosos, estamos nisto juntos e todos temos que fazer a nossa tarte.

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